[A noiva usa um chapéu branco
garrafa vazia na mão esquerda
e lábios vazios de vidro]
As suas mãos de vidro lascado
rasgavam o véu à tesourada
Que é do cão?
Bradava como uma cadela vazia de leite
com as unhas por desgastar
Útero vazio
De noite de núpcias
Planava a passadeira vermelha
Empunhando a garrafa vazia
Espremendo uma última gota
Suplicando ao padre por mais um pouco de líquido
Deixando cair uma lágrima de vidro
por não ter dado conta
que tinha deixado o amor acabar.
Uma folha do meu tronco espasmódico espasma espasmodia até aos meus cabelos. São as chamadas convulsões periódicas da minha alma. Acontece. Da minha língua saem arroubos roubos da integridade estável que devemos ser (aos olhos dos outros). Ansiedades malaicas. Totalidade, soma de espasmos em catadupa. Palpitantes histerias até ao céu.
domingo, abril 30, 2006
sexta-feira, março 17, 2006
quarta-feira, março 15, 2006
a uma respiração
Sem inspiração inspira expira para se soltar do balão de ar na garganta sem dor sem palavra sem assunto nem direcção. Para onde é que ela vai indo na direcção oposta à suposta indo na ilusão aposta que consegue lá chegar. Sem inspiração ela não consegue dormir não consegue sumir-se não. Para onde é que ela vai sem almofada sem vestido sem o incenso ainda ter ardido. Expiração espirro escarro solta-se no ar como um bocado de carne engasgado e empedernido. Salivação de tanto bater o coração. Degustação de um assunto proibido inalado e agora vomitado. Para onde é que ela vai sem gotas para os olhos sem olhos para a despedida.
Quem lhe disse que não se pode penar simplesmente. Uma pena apenas. Por viver neste mundo.
Quem lhe disse que não se pode penar simplesmente. Uma pena apenas. Por viver neste mundo.
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