Uma folha do meu tronco espasmódico espasma espasmodia até aos meus cabelos. São as chamadas convulsões periódicas da minha alma. Acontece. Da minha língua saem arroubos roubos da integridade estável que devemos ser (aos olhos dos outros). Ansiedades malaicas. Totalidade, soma de espasmos em catadupa. Palpitantes histerias até ao céu.
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Menina Lua
Boneca Lua
Ou Lua Lua
[Das duas uma]
Sem desesperar
A menina põe-se a olhar para Lua
À espera que Lua esboce um sorriso
[Uma aragem sopra]
A menina escorrega do baloiço e cai
Tinha asfixiado pelo amor a Lua
Chorado até ficar roxa pelo amor a Lua
Lua já não enviava a luz da noite
Fios de cabelo lunar esvoaçavam com a brisa nocturna
Buracos em vez de olhos
Farrapos em vez de braços
Dizem que a menina tinha uma amiga Lua
Boneca Lua
Ou Lua Lua
[Das duas uma]
Caiu do baloiço
Buracos em vez de olhos
Farrapos em vez de braços
A menina e a amiga Lua
Naquela noite
Findaram
terça-feira, fevereiro 21, 2006
Cerimónia [RFH VIII]
I
A mãe
A mãe afasta as cadeiras.
II
Polly
Polly é a escolhida para beijar a cabeça.
Polly beija a cabeça e torna-se Santa.
Polly embrulha a cabeça num pano de cozinha e foge.
III
Os rapazes
Os rapazes bebem do sangue.
IV
O pai
O pai coça a cabeça à avó.
V
O avô
O avô afia o facalhão nas botas.
VI
A avó
Tenho jejuado. Há dias que não como porque não consigo encontrar os meus dentes.
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
a CABEÇA de Jesus Cristo [RFH VII]
How miserable I’ve become leaving in your heads, in your imagination!!!!
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Sem Título II
por trás de um véu púrpura
de uns olhos gelados
De um miar de um gato
Rasga os cabelos rasga o ventre
Rasga o miar de um gato
Ninguém a viu passar
ninguém a viu ser vista por alguém
num miar de um gato
Medida doce
De um corpo forte
Ardor
de um peito
Amor.
A noite perdia-se
Ela passou sem ser vista
Por trás de uma boca rasgada
Tirou o vestido
Voou
sem ser miada
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
terça-feira, fevereiro 14, 2006
A FAMÍLA [RFH V]
Polly
Nos meandros daquela cabeça palpitavam pensamentos sacros.
Não fosse a pequena Polly estar destinada a ser freira e o caldo estava entornado.
Havia sangue mas Polly não percebia porquê nem estava autorizada a bebê-lo.
II
O avô
O Avô tinha o seu ritual do escalpe. A faca era afiada sobre o bico metálico das botas.
I
Os rapazes
Não era assim que faziam os índios
perguntavam os rapazes completamente estupidificados naquela idade.
IV
A mãe
A mãe serve os guardanapos.
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
A veia poética de Polly [RFH IV]
(Such a lovely ode)
I’m waiting oh Head
To kiss you right on the top.
My mother says that will bring me fortune
But I prefer oh Head
If instead
of kissing
I could make you a crown
Like the one I did for my little dog
-Polly!!!! – Cried grandpa
Sorry oh Head
I’ll wait until the war is over
Apologized Polly.
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
REQUIEM FOR A HEAD III (última ceia)
À mesa o vinho é servido.
II
A cabeça é pendurada na sala como troféu de caça.
III
Há uma grande festa e dança-se como loucos.
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
REQUIEM FOR A HEAD II (bath time)
A cabeça é deixada de molho. Os cabelos escovados.
Há sangue e a menina Polly não sabe porquê.
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
REQUIEM FOR A HEAD I
Imagino uma cabeça numa bandeja.
Rola pelo chão.
É a de Jesus Cristo (!)
Todas as mulheres se apaixonam pela cabeça. Ele não se decide. Elas coleccionam cabelos.
Ele está farto delas!
II
Chegam os rapazes e jogam à bola com a bonita cabeça que a mãe ofereceu.
III
A pequena Polly acha tão carinhoso aquele ursinho cheio de pó e folhas secas de andar pelo chão.
Hora do chá.
Uma chávena de chá é servida.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Para ler a várias vozes
P Pi Pin Ping Pinga Pingam suores
e dizem que os invejosos têm serpentes na boca.
Limpa chaminés tem sexo nas cinzas.
O seu sexo é cinzento. Queima.
Tenho brasas nos lábios e tenho comichão debaixo do braço.
Escorrem pingos de sangue que se estorricam ao lume.
Eu abano-o ao som da madeira a estalar mas ele nunca tem calor ele nunca se bronzeia.
Escorrem pingos de suor da minha veia artéria ahorta.
Ele tem uma escova para pentear os meus cabelos
a mesma com que esfrega os tijolos.
Ele tem umas mãos grossas de limpa chaminés
que fazem escaladas e trepam telhados por cima da minha cabeça.
Ele põe os óculos para observar o grau de sujidade da minha pele e eu ergo-me para lhe proporcionar alegria. Estico-me e rebento com o meu peito contra a sua lupa.
Milhões de odores cobrem o seu nariz de lume.
Eu liberto-me em gritos. Ele limpa-os. Escova-os muito direitinho.
O limpa chaminés existe. Tem de existir para sempre.
Eu gosto de limpar as suas unhas e em troca ele coça-me as costas. É bom assim. Ao lume.
Ele nunca se queima. Eu queimo. CONSUMO-ME. Auto combustão assumida.
É bom assim. Direitinho.
Chaminés estreitas de musgo a roçar o humido sabor das minhas pernas.
Chaminés gordas em forma de pénis.
O seu sexo é cinzento.
O seu odor é...
Ele acende as velas com um estalido.
Rio-me
porque é magia.
Eu não acredito em magia. E assim é bestial!
Trocas de lugar de olhos fechados e ao lume apagado tudo é possível.
Descemos escorregas de mão dada
e aterramos com fortes estrondos nas cinzas ainda quentes.
Ele não sente. Eu sinto tudo.
Ele tem ossos gelados da chaminé e eu sinto a corrente de ar passar-me pelo rosto.
Chama-me. Já vou.
Demoro mais tempo para o fazer esperar e depois acendo o lume.
Pequenas brasitas tremelicam enquanto cantamos canções de amor. A chaminé é apertada e é boa para certas intimidades.
Ele de fole. Atiça-me os mamilos que parecem glóbulos vermelhos em acção parecem rebuçados parecem chouriços a assar. Que cheiro a CARNE. Que cheiro.
Realizamos uma saída pela chaminé em direcção ao telhado ao céu a uma estrela.
Deixamos um rasto de fumo.